Cai o endividamento das famílias brasileiras, mas inadimplência segue alta

Entenda por que as dívidas diminuíram, mas o atraso nos pagamentos ainda preocupa o mercado

Cai o endividamento das famílias brasileiras, mas inadimplência segue alta

O endividamento das famílias 2025 apresentou uma leve melhora, conforme apontam os dados mais recentes da Confederação Nacional do Comércio (CNC). Pela primeira vez em dois anos, o índice de famílias endividadas teve queda. Ainda assim, o número de inadimplentes — aqueles com contas em atraso — permanece alto, o que acende um alerta para consumidores e especialistas em finanças.

Afinal, como é possível ter menos dívidas, mas mais contas vencidas? Neste artigo, vamos entender essa aparente contradição, analisar os dados de 2025, explorar os motivos por trás desse cenário e apresentar caminhos para o brasileiro lidar melhor com seu orçamento.

O que dizem os números sobre o endividamento das famílias 2025?

De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada em abril de 2025, 77,2% das famílias brasileiras declararam ter algum tipo de dívida. Em março, o índice era de 78,3%. Ou seja, houve uma queda de 1,1 ponto percentual.

Apesar disso, o percentual de famílias com dívidas em atraso subiu para 29,7%, e a parcela que afirma não ter condições de pagar suas contas alcançou 12,6%, o maior nível desde o início de 2023.

Indicador Março/2025 Abril/2025 Variação
Famílias endividadas (%) 78,3% 77,2% -1,1 pp
Famílias com contas em atraso (%) 28,9% 29,7% +0,8 pp
Famílias que não conseguem pagar (%) 11,9% 12,6% +0,7 pp

Portanto, embora o número total de endividados tenha diminuído, há um aumento no número de pessoas que não conseguem quitar suas dívidas. Esse dado é preocupante, principalmente em um cenário de juros ainda elevados e crédito restrito.

Endividamento X inadimplência: qual a diferença e por que importa?

Antes de seguir, é importante diferenciar dois conceitos que muitas vezes se confundem:

  • Endividamento: refere-se ao ato de assumir compromissos financeiros, como empréstimos, financiamentos e o uso do cartão de crédito.
  • Inadimplência: ocorre quando a pessoa deixa de pagar a dívida no prazo acordado.

Ou seja, não é o endividamento em si que preocupa, mas sim o não pagamento da dívida.

Por que o endividamento das famílias 2025 caiu?

Segundo economistas entrevistados pelo G1 Economia, a redução no índice de endividamento está relacionada a dois fatores principais:

1. Redução na contratação de novos créditos

Com os juros altos e a renda apertada, muitas famílias optaram por não assumir novas dívidas. Em outras palavras, houve uma mudança no comportamento financeiro do brasileiro médio.

2. Aumento do pagamento à vista

Com o avanço de programas de renegociação, como o Desenrola Brasil, milhares de famílias conseguiram quitar parte das dívidas e passaram a dar preferência ao pagamento à vista.

Mas por que a inadimplência segue alta em 2025?

Apesar da queda no endividamento, a inadimplência aumentou. Esse paradoxo tem uma explicação: boa parte das famílias está priorizando a sobrevivência, ou seja, pagando apenas o essencial.

Além disso:

  • A inflação acumulada continua pressionando o poder de compra;
  • O mercado de trabalho ainda apresenta muita informalidade;
  • Muitos brasileiros estão pagando dívidas antigas, mas atrasando novas obrigações.

Estudo de caso: a realidade de quem enfrenta o endividamento das famílias 2025

Veja o caso do seu João, de 52 anos, morador de Goiânia. Ele trabalha como motorista de aplicativo e sustenta a casa com a esposa e dois filhos.

Em 2023, ele acumulou mais de R$ 8 mil em dívidas com o cartão de crédito e precisou aderir ao Desenrola Brasil para renegociar os débitos. Hoje, paga uma parcela mensal de R$ 290. No entanto, com o aumento do custo do combustível e das contas de casa, ele acabou atrasando o financiamento da moto e a fatura atual do cartão.

Ou seja, mesmo tendo reduzido o volume total de dívidas, João segue inadimplente com outras obrigações — uma situação cada vez mais comum nas famílias brasileiras.

Como sair do atraso e reorganizar as finanças?

A inadimplência pode ter consequências sérias, como o nome negativado e o bloqueio de crédito. Por isso, veja a seguir um passo a passo para retomar o controle financeiro:

1. Faça um diagnóstico da situação

  • Liste todas as dívidas: valor, vencimento e taxa de juros.
  • Identifique quais estão atrasadas e quais ainda estão em dia.

2. Renegocie com os credores

  • Muitos bancos oferecem condições melhores para quem procura antes de virar inadimplente.
  • Priorize as dívidas com juros mais altos.

3. Crie um orçamento realista

  • Corte gastos não essenciais temporariamente.
  • Reserve uma parte do que ganha para emergências.

4. Considere fontes extras de renda

  • Trabalhos por aplicativo, vendas online ou freelas podem ajudar.
  • Mesmo pequenos valores fazem diferença no longo prazo.

Expectativas para o cenário do endividamento das famílias 2025

O governo e o mercado esperam uma melhora no cenário até o final de 2025. A expectativa é de:

  • Queda gradual da Selic, conforme prevê o Banco Central;
  • Estímulo ao consumo consciente com campanhas de educação financeira;
  • Ampliação de programas sociais para renegociação de dívidas.

No entanto, para que essa recuperação aconteça de forma sólida, será essencial manter o foco na educação financeira e no consumo responsável.

Menos dívidas, mas atenção redobrada com o endividamento das famílias 2025

O endividamento das famílias 2025 caiu, o que é uma boa notícia. No entanto, a inadimplência ainda alta mostra que o problema vai além do número de dívidas — é uma questão de planejamento e renda.

Por isso, se você está com dificuldades financeiras, o mais importante é agir agora. Organize-se, negocie e evite novas dívidas até que sua situação esteja sob controle.

Compartilhe este conteúdo com quem precisa entender melhor o cenário financeiro atual. Informação é o primeiro passo para virar o jogo!

 

Com mais de 16 anos de experiência na área de comunicação, é jornalista com mestrado em Semiótica pela Unesp. Possui pós-graduação lato sensu em Marketing Digital pela USP e MBA em Administração, Finanças e Geração de Valor pela PUCRS. Especialista em estratégias digitais e análise de significados, combina visão estratégica e criatividade para produzir conteúdos que informam e engajam na área de finanças.
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